Nascido há 54 anos em São Francisco, Califórnia, Goa Gil é um dos responsáveis pelo nascimento do trance psicadélico nas praias de Goa em meados dos anos 80. Nos seus tempos de juventude integrou o movimento "hippy" Haight Hashbury e quando completou 18 anos deixou a cidade natal e partiu para a Índia, como membro do movimento que no final dos anos 60 levou milhares de hippies desencantados aos ambientes exóticos da antiga colónia portuguesa.
No Verão de 69, Nixon era Presidente e Reagan acabara de se assumir como Governador da Califórnia. A magia de S. Francisco tornara-se opressiva. Alguns decidiram fundar comunas no campo e outros acabaram por ficar nas cidades. A maior parte dos quais conformados acabariam depois por se tornarem 'yuppies'. Os restantes, onde ele (Gil) se inclui, partiram para a Índia numa viagem espiritual. O destino era Goa, e pelo meio Goa Gil ainda arranjou tempo para aprender Yoga com gurus nos Himalaias e alcançar o "karma" pela meditação. Chegado à Índia este antigo guitarrista e poeta amante da "Beat Generation" começou por exportar o rock - "existiam cinco bandas rock na India naquela altura e eu tocava em três delas" (Goa Gil) - para só depois descobrir na música electrónica o seu passaporte para os céus.
"No final dos anos 70, comecei a ouvir a primeira música de dança e encontrei aí a combinação perfeita entre ritmos tribais do passado e sons futuristas, sintetizados, quase alienígenas. A música tornou-se um ciclo completo, do tribalismo ao cibertribalismo o que traduz de forma perfeita os tempos de agora" (Gil).
Goa Gil é considerado o buda dos ambientes lisérgicos e das viagens pelos confins químicos da mente e do espírito, capaz de transformar as festas onde actua em verdadeiros rituais cerimoniais a que ninguém fica indiferente. O "slogan" mais conhecido, "Redifinindo o ritual tribal da dança para o século XXI" guia o público através do trance a um estado de consciência mais elevado. Ele tornou-se no maior protagonista da música eletrônica em Goa, mantendo esse título até hoje. Ele criou a conexão entre batidas eletrônicas, espiritualidade, yoga e música
" Quando actuo, toda a música e a comunhão que dela deriva deve elevar-se ao espírito cósmico A musa divina deve descer à festa e abençoar-nos a todos, Isto foi o que os antigos xamãs e os demais grupos tribais de todo o mundo fizeram em tempos remotos. Eu limito-me a actualizá-lo".(Gil)
No início, era bem difícil conseguir fazer estas raves - os DJs tocavam utilizando fitas cassetes de walkman. Naquela época os CDs ainda não eram populares e o calor e a poeira de Goa não eram propícios para o vinil. A música desenvolveu-se para uma colorida mistura de Post-Wave, Electronic Body Music (EBM), New Beat, Front 242, Nitzer Ebb, variando entre música eletrônica belga, inglesa e americana
abraço